Acontece em diversos ambientes de trabalho do mundo, e possivelmente já aconteceu com você, algum colega, algum amigo ou parente: o profissional se esforça diariamente para exceder as expectativas do empregador, fazendo o melhor trabalho possível, sendo proativo e demonstrando garra e motivação, mas em muitos casos mesmo com uma vaga superior disponível, a promoção não acontece. Por quê?
Numa situação destas, a primeira sensação que temos é a de injustiça. Afinal, ninguém gosta de se esforçar ou ver um profissional realizando um esforço grande e não ser recompensado pelo trabalho quando surge uma oportunidade. Mas, quando se trata da esfera profissional sempre é bom respirar fundo e deixar as emoções de lado por alguns momentos, realizando uma análise racional dos fatos, para entender quais foram os requisitos que não foram preenchidos para ocupar o cargo mais alto. E é nesse momento que em alguns casos podemos perceber que trabalhar duro pode na verdade estar prejudicando a possibilidade de conseguir uma promoção.
Não, não estamos dizendo que você deve ser mais preguiçoso ou trabalhar menos se deseja subir na carreira, mas que é necessário trabalhar de forma mais inteligente e focar nos resultados alcançados. O problema é que muitos profissionais colocam todo o seu foco em fazer o melhor trabalho possível nas tarefas que realizam no seu cargo atual, quando muitas vezes não serão estas as tarefas que devem ser bem realizadas no cargo para o qual desejam ser promovidos. Portanto, algumas vezes ao colocar seu foco em trabalhar mais duro e melhor nas suas tarefas diárias, o profissional não desenvolve ou demonstra ter outras habilidades necessárias para o cargo que deseja ocupar.
Trabalhar mais vs. trabalhar de forma mais inteligente
Então se trabalhar mais duro não é necessariamente o melhor caminho para uma promoção, qual a melhor forma de progredir na carreira?
O primeiro passo é entender quais são as habilidades que são necessárias para exercer a função desejada. Para começar é importante estudar a descrição do cargo, conversar com seu gestor ou com algum mentor sobre quais são as diferenças entre as funções exercidas hoje e as funções do cargo que você quer. O candidato deve analisar também qual a melhor forma para desenvolver as competências técnicas necessárias, e começar a desenvolver algumas competências comportamentais nos seus processos diários que demonstram que se está preparado para um cargo mais alto:
- Delegar funções – para ter tempo de desenvolver novas habilidades e participar de novos projetos, pode ser que seja necessário delegar algumas de suas funções atuais para outros colegas e departamentos, ou mesmo para fornecedores externos ou profissionais terceirizados. Delegar funções pode ser mais difícil do que parece, é preciso deixar processos e atividades claro, fornecer apoio e supervisionar o andamento do trabalho.
- Automatizar processos – Uma boa forma de ganhar tempo para novos projetos é através da automatização de processos. Para isso é preciso identificar se alguma das suas tarefas diárias pode ser substituída ou ter seu tempo de execução reduzido com a ajuda de programas específicos ou mesmo novos processos. É fundamental avaliar também o custo e benefício do novo processo automatizado para a empresa.
- Liderar – Alguns podem estar se perguntando por que liderar entra nesta lista se já falamos sobre a importância de delegar funções? Liderar não é apenas delegar, mas inspirar seus colaboradores a trabalharem mais atentamente para a sua marca, definir objetivos e planos e contratar e desenvolver novos colaboradores para a empresa.
- Otimizar – A maior parte das atividades profissionais acarreta em dois tipos de custo: tempo e dinheiro. Otimizar processos significa reduzir custos, seja identificando novos processos que reduzam o tempo gasto em determinadas atividades, ou que reduzam o custo operacional da empresa, mantendo a qualidade dos produtos e/ou serviços oferecidos. Ao demonstrar interesse em reduzir o tempo ou o custos necessários para realizar a sua atividade, o profissional demonstra capacidade de entender os principais objetivos da empresa e interesse melhorar os resultados obtidos.
- Inovar – Ao pensarmos em inovação, podemos cair no estigma de que para inovar é preciso criar uma “reinvenção da roda”, isto é, que inovação só ocorre quando é algo grandioso, como uma nova invenção tecnológica que revoluciona a indústria. O que pouca gente percebe é que boa parte das inovações que mudaram o mundo nas últimas décadas só foram possíveis por pequenos avanços em processos, produtos, tecnologias e pensamentos. Para inovar é preciso pensar fora da caixa, pesquise sobre outros segmentos, mercados, países e tecnologias, imaginar como seria possível adotar diferentes ideias dentro da sua empresa e realizar testes para confirmar as suas teorias. Ser um profissional inovador é fundamental, afinal é através de novas ideias que as empresas conseguem evoluir.
- Inteligência emocional e relacionamento interpessoal – Outras características comportamentais fundamentais para ser promovido dentro de uma empresa são inteligência emocional para lidar com situações estressantes e um bom relacionamento interpessoal com seus colegas de diferentes departamentos. Um funcionário pode ser excelente nas suas atividades diárias, mas se tiver problemas de relacionamento ou um temperamento difícil, não é provável que este funcionário se saia bem em cargos gerenciais e de diretoria que exigem interação entre diferentes áreas funcionais de uma organização.
A afinidade também pode ser inserida no conceito de inteligência emocional. Não é incomum encontrar gestores que escolhem candidatos com os quais possuem mais afinidade para ocupar cargos mais altos, e este comportamento não é necessariamente ruim: todos trabalhamos mais harmonicamente quando trabalhamos com colegas com quem temos um bom relacionamento interpessoal.
Outros motivos que podem barrar uma promoção
Mesmo com todo esse esforço para desenvolver as competências necessárias para um cargo mais alto, é importante estar preparado para outros fatores externos que podem impedir o objetivo de alcançar uma promoção:
- Outros candidatos mais qualificados – o mercado de trabalho, especialmente para cargos mais altos, é cada vez mais competitivo. Por mais que esforços sejam reconhecidos, em alguns casos candidatos que possuem melhores qualificações para o cargo podem ser contratados. É importante colocar-se no lugar da empresa e imaginar que se está contratando um profissional para determinada área. Ao promover um profissional interno, a empresa assume uma série de riscos: o profissional precisa de tempo e treinamento para desenvolver as competências necessárias para o cargo e ainda não tem experiência efetiva no cargo, muitas vezes, quando aparece um candidato externo com mais experiência e sem tanta necessidade de treinamento e desenvolvimento, pode fazer mais sentido a empresa contratar o candidato externo, que tem as competências necessárias para assumir as responsabilidades do cargo quase que de imediato.
- Idade, tempo de casa – uma grande polêmica no mercado de trabalho é a discriminação etária que empresas praticam tanto para contratações quanto para promover funcionários internos. Infelizmente a idade pode ser um fator influenciador na hora de gestores decidirem se um profissional está ou não preparado para exercer um cargo mais alto. O tempo de casa é uma outra variável importante – se um profissional tem pouco tempo de casa, pode ser difícil conquistar uma promoção interna, e o contrário também pode ser verdade: um profissional que já está na empresa há muito tempo pode ser enxergado como “acomodado” pelo mercado.
- Estrutura da equipe interna – quando surge uma boa oportunidade interna, é comum que mais de um membro da equipe se candidate à vaga, o que pode causar problemas políticos para a equipe ao promover um dos colaboradores. Os outros membros da equipe podem se sentir prejudicados ou não enxergar as características que levaram seus colegas à serem promovidos, isso pode resultar em negatividade e problemas de relacionamento interno. O que também pode acontecer, é a estrutura interna da empresa não permitir que uma promoção aconteça (normalmente isso ocorre em empresas e indústrias com estruturas e procedimentos mais rígidos).
- Muitos influenciadores / decisores – dificilmente a decisão de promover um funcionário é responsabilidade apenas de uma pessoa. É comum ser um processo de decisão que envolve dois ou mais gestores, incluindo ou não o RH da empresa, o que pode dificultar a compreensão de uma resposta negativa a uma promoção, porque embora um dos gestores possa crer que você tem as competências necessárias para o cargo, os outros decisores vetaram o processo por alguma razão.
Você não conseguiu sua promoção e agora?
Receber uma resposta negativa em relação a uma candidatura para uma vaga interna nunca é agradável. Após receber o resultado negativo, cabe ao indivíduo definir alguns pontos importantes para sua carreira e realização profissional: como dissemos anteriormente, o primeiro passo é buscar feedback da empresa em relação ao processo seletivo, quais foram os atributos que impediram a sua progressão de carreira, e quais habilidades precisam ser desenvolvidas. O segundo passo é entender se existem outras oportunidades de crescimento profissional dentro da empresa: outras vagas disponíveis, áreas e projetos novos que estão no planejamento, ou novas atribuições e aumento de remuneração ou benefícios do seu cargo atual.
É importante avaliar o mercado de trabalho e se seria fácil conseguir um cargo mais alto em outro empregador, ou mesmo um cargo do mesmo nível com mais atribuições e uma melhor remuneração que pode desenvolver as habilidades que não estão inclusas na sua função atual e que resultaram na decisão negativa da empresa sobre a possibilidade de promoção.
Independentemente da decisão de permanecer ou não na empresa, o mais importante é identificar quais são as áreas que você precisa desenvolver para alcançar uma progressão de carreira, e como isso pode ser feito, se é necessário realizar cursos específicos ou mesmo sessões de coaching para desenvolver suas habilidades comportamentais.
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