Ao longo do Maio Adzuna: Mulheres Tech conversamos com mulheres que estão desenvolvendo carreiras impressionantes nas áreas de STEM, como Martha Gabriel, Camila Achutti entre as várias profissionais que tivemos o prazer de entrevistar.
Publicamos também uma lista com cientistas, matemáticas e engenheiras cujos trabalhos impulsionaram o desenvolvimento acadêmico e tecnológico da sociedade em que vivemos. Porém, ao pesquisar o trabalho destas mulheres, percebemos que pouco se fala das profissionais brasileiras da área.
Como encontrar informações sobre estas mulheres não foi uma tarefa fácil, e como acreditamos que os trabalhos destas mulheres merecem destaque, decidimos fechar o nosso mês temático com uma lista exclusiva para cientistas, matemáticas, físicas e engenheiras brasileiras que realizaram grandes descobertas e trabalhos para o conhecimento da humanidade:
Enedina Marques
5 de janeiro de 1913 – 27 de agosto 1981
Curitiba – Paraná
Enedina se formou em Engenharia Civil em 1945, aos 32 anos, sendo a primeira mulher engenheira do Paraná e a primeira mulher negra do Brasil. Ela faz parte da galeria dos paranaenses ilustres como pioneira da engenharia.
Iniciando sua carreira na Secretaria de Viação e Obras Públicas ela deixou sua marca, atuando no levantamento topográfico da Usina Capivari Cachoeira, no levantamento de rios, na construção de pontes e na Usina Parigot de Souza. Ela também se tornou membro da Associação Brasileira de Engenheiros e Arquitetos do Brasil e Instituto de Engenharia do Paraná.

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Victória Rossetti
14 de outubro de 1917 – 26 de dezembro de 2010
Santa Cruz das Palmeiras, São Paulo
Sendo a primeira mulher a se formar em Engenharia Agrônoma no estado de São Paulo, Veridiana Victória Rossetti, é reconhecida pelas seus extensos trabalhos sobre doenças em plantas cítricas, que a levaram para instituições renomadas nos Estados Unidos e na França, onde compartilhou e continuou suas pesquisas.
Publicou mais de 400 trabalhos científicos, recebeu 55 prêmios nacionais e 12 internacionais é pesquisadora emérita do Estado de São Paulo e foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico da Presidência da República do Brasil (junho de 2004).
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Elisa Frota-Pessoa
17 de janeiro de 1921 –
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Elisa Frota-Pessoa não teve apoio de sua família para se formar em Física, mas teve incentivo de seus professores, sendo a segunda mulher a se formar em Física do Brasil.
Em sua carreira, Elisa introduziu a técnica de emulsões nucleares no Brasil e a aplicou em vários campos, como física nuclear, biologia, partículas elementares, entre outros. Um de seus trabalhos foi o único trabalho brasileiro selecionado para apresentação em plenário na Conferência Internacional de Átomos para a Paz em Genebra, 1955. Foi também uma das fundadoras do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).
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Marília Chaves Peixoto
24 de fevereiro de 1921 – 5 de janeiro de 1961
Santana do Livramento, Rio Grande do Sul
Marília se formou em Engenharia Matemática pela Escola Politécnica da Universidade do Brasil, onde conheceu seu marido Maurício Peixoto. Ambos seguiram carreira de professor na Escola Politécnica, e em conjunto produziram diversos trabalhos com repercurssão internacional, inclusive o Teorama de Peixoto. Ela foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Ciências.
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Aída Pullin
11 de agosto de 1922 –
São Paulo, São Paulo
Cursou Engenharia na Universidade de São Paulo depois de terminar o curso de humanidades no Colégio de Sant’Ana.
Ela trabalhou no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, foi assistente da cadeira de bioquímica da Escola Politécnica e sócia do Instituto de Engenharia. Escreveu trabalhos sobre bioquímica e química nuclear, entre eles a publicação O uso do 2-4-D para a obtenção de tomates sem sementes, em coautoria com Armando Ruso, e Celulose de subfrações de sabugo de milho, em coautoria com Júlio Buschenelli e Kimiki Kohatsu.
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Sonja Ashauer
9 de abril de 1923 – 21 de agosto de 1948
São Paulo, São Paulo
Sendo a primeira mulher a concluir o Doutorado em Física no país, Sonja também foi a primeira mulher brasileira a ser eleita membro da Cambridge Philosophical Society. Na Europa, ela conviveu com os maiores físicos da época, tendo participado de Encontros de Física onde estavam nomes como Born, Schrödinger, Wheeler, Hackett. Sonja defendeu uma tese de doutorado de Eletrodinâmica Quântica, assunto de ponta na época, com o título “Problemas nos elétrons e radiação eletro-magnética”.

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Elza Furtado Gomide
20 de agosto de 1925 –
São Paulo, São Paulo
Depois da primeira doutora em Física, Elza entra como a primeira doutora em Matemática formada em uma instituição brasileira. Ela publicou várias pesquisas em Análise Matemática, mas também dedicava-se a sua carreira como professora, tendo um enorme amor pelo ensino. Atualmente, ainda participa de bancas de tese e continua ligada nos problemas do ensino da matemática no Brasil.
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Neusa Amato
29 de agosto de 1926 –
Campos, Rio de Janeiro
Por pouco Neusa não prosseguiu nos seus estudos, vinda de uma família com uma situação financeira difícil, ela se preparava para buscar um emprego. Mas seu professor de física Física Plínio Süssekind da Rocha reconheceu seu talento e a incentivou a fazer vestibular para o curso de física. Aprovada no vestibular, foi uma graduada de destaque, sendo depois contratada como professora.
Mas sua paixão estava na parte de pesquisa, e em 1950, ela foi convidada a trabalhar na CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas físicas) onde trabalhou, até o final de sua carreira, com a detecção de raios cósmicos de altas energias.
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Ayda Ignez Arruda
27 de junho de 1936 – 13 de outubro de 1983
Lajes, Santa Catarina
Doutora em Matemática, Ayda fez grandes contribuições na parte de pesquisa da área, se tornando uma referência e também a primeira pesquisadora a formalizar as ideias do matemático russo Nicolai Vasiliev, obtendo, como resultado as lógicas paraconsistentes.
Foi professora visitante e conferencista em diversas universidades nacionais e internacionais, e organizou os Encontros Brasileiros de Lógica, em 1976, e o 3rd Latin American Symposium on Mathematical Logic (III SLALM), ambos realizados na Unicamp. Em 1980, assumiu a direção do IMECC (Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica) permanecendo no cargo até seu falecimento.
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Thaisa Storchi Bergmann
19 de dezembro de 1955 –
Caxias do Sul, Rio Grande do Sul
A astro-física foi agraciada com o prestigioso Prêmio Internacional Loreal-UNESCO para Mulheres na Ciência 2015 pelas suas várias contribuições no campo da astronomia extragalática, particularmente seu estudo sobre o movimento de matéria em buracos negros.
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Yolande Monteux
outubro de 1910 – 1998
Paris, França – em 1937 naturalizou-se brasileira
Yolande chegou ao Brasil com três anos de idade, com vinte e sete ela se formava na Universidade de São Paulo como a primeira mulher Física no país e segunda a se tornar pesquisadora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Ela aceitou o convite para trabalhar no Instituto de Pesos e Medidas de Paris, mas logo transferiu-se para o Imperial College de Londres.

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A pesquisadora sempre reagia a atitudes autoritárias e preconceituosas, isso pode ser mais expresso no relato de seu filho Matheus Correa de Sá à Walkiria Chassot, do Acervo Histórico do IFUSP, retirado do site do IPT, de um episódio sobre quando ela atuou no Bureau International des Poids et Mesures:
“Em uma conferência internacional de cientistas no Instituto Internacional de Pesos e Medidas, em Paris, ela quase criou um ‘incidente diplomático’: uma grande autoridade francesa apresentava palestra sobre um método de medida – creio que era uma medida de densidade de urânio – Yolande disse que no IPT, no Brasil, se fazia de um outro modo, com maior eficiência. E ouviu: ‘Você quer dizer que no Brasil há métodos mais adiantados que na Europa?’.
Minha mãe respondeu: “a inteligência e a capacidade de inventar não têm fronteiras e que não imaginava haver lugar, em um congresso científico, para argumentos baseados em preconceitos de superioridade, ilusões ou tradições, mas que só haveria valor para argumentos baseados em razões científicas, com provas experimentais”.
Foi um pandemônio: Yolande deu uma aula – para um aluno de primeiro ano de ciência – sobre método científico, mas falava com um diretor francês do Instituto. Ela não teve a renovação em seu posto, e teve que procurar outro no Imperial College em Londres.
Esse é um exemplo das atitudes de uma mulher sem medo …”.
E são com essas palavras inspiradoras que fechamos o Maio Adzuna: Mulheres Tech. Esperamos que vocês tenham gostado e para ver todas as matérias do mês, cliquem aqui.








