Mesas improvisadas, cadeiras velhas trazidas de casa e amontoadas em um canto da garagem dos fundos, computadores de última geração, internet de alta velocidade, posters da Marvel e controles de videogames espalhados pelas salas.
É assim que muitos profissionais, freelancers ou empreendedores, que hoje estão trocando grandes empresas por startups, imaginavam o ambiente de trabalho desse tipo de negócio.
Mas, em vez de se verem em uma cena típica americana retratando o início das megaempresas do Vale do Silício, estão encontrando escritórios modernos, gestões consolidadas e apenas um pouco dessa (des?)ordem que, na verdade, tem como objetivo aguçar a criatividade e fazer com que seus funcionários estejam confortáveis para extraírem melhores performances.
O clima e a cultura organizacional já seriam boas razões para entender esse processo migratório, mas existem outros motivos ainda mais fortes e inquestionáveis. Inclusive, a proposta deste post é que você reflita sobre eles, não só para entender esse movimento, mas principalmente para se perguntar: eu também me encaixo no perfil das startups?
Boa leitura!
Modelo de gestão de uma startup
O termo startup não foi adotado para classificar empresas segundo seu porte, faturamento, capital aberto ou fechado ou tipo de administração, como normalmente as organizações são nomeadas no mercado.
PME, Sociedade Anônima, Multinacionais, Empresas de administração Pública, Ltda e muitas outras categorias podem ser aplicadas ou um dia vir a ser a nomenclatura de tais empreendimentos. A condição de startup deve-se, na verdade, a outras nuances do negócio.
São chamadas assim as empresas que desenvolvem um produto ou serviço inovador com alto reforço tecnológico, seja no item a ser comercializado, seja em seus processos. Então não são modelos de negócio exclusivos da área de tecnologia, mas de todas que possuem foco no sucesso escalável, produtivo e comercial.
Ou seja, elas querem apresentar algo novo ou melhorado para o mercado e crescer rapidamente para criar barreiras sólidas contra as adversidades de seus setores de atuação.
Por serem criadas a partir de uma infraestrutura simples e moderna, seu potencial para gerar bons resultados são comprovados por pesquisa de mercado. Também são elaboradas segundo planos de negócios bem racionais e pautados em indicadores de performance. Por isso, frequentemente atraem atenção de anjos-investidores.
Dessa maneira, as startups unem um mix de elementos atraentes para o mercado e profissionais que estejam dispostos a trabalhar nelas: produtos ou serviços que geram orgulho, gestores inovadores e possibilidades, assunto sobre o qual ainda falaremos mais neste texto.
Diferenciais percebidos por quem está trocando grandes empresas por startups
Se você se vê no impasse de trocar empresas tradicionais por startups ou tem dúvidas se deve ou não ingressar no mercado por esse modelo de negócio, nada melhor do que saber quais as percepções de quem já está trabalhando nelas. Esse será o nosso ponto de partida. Vamos conhecer?
1. Possuem cultura interna agradável
Em grandes empresas é comum que haja forte competitividade entre os profissionais, mesmo em setores que não são movidos a metas, como a área comercial. Isso porque são muitos candidatos almejando as mesmas promoções salariais e de carreira.
Por consequência, a colaboração e compartilhamento de conhecimento fica limitada aos interesses individuais de cada profissional. Ou seja, é sempre estratégico e baseado na intenção de autopromoção e construção de imagem.
Não existe nenhum problema em valorizar seu conhecimento e desejar ser reconhecido por ele, porém, nas startups a preocupação sobre a meritocracia é menos agressiva. Isso porque os créditos costumam ser dados naturalmente. Os profissionais tornam-se mais generosos, a equipe é mais coesa e todos contribuem para os projetos com o intuito de colocar seus potenciais em jogo e aprimorá-los a partir do relacionamento com outros colegas.
Esses, em suas posições, têm a mesma postura e objetivos, o que permite criar uma cultura de aprendizado compartilhado. Além de muito valorizado, esse comportamento tem grandes efeitos nas inovações que as startups estão incluindo em seus processos, produtos e serviços.
2. Valorizam o aprendizado contínuo
O aprendizado, portanto, é vivenciado a todo momento e sob todas as formas. Se em empresas convencionais as titulações acadêmicas se sobrepõem à inteligência situacional em determinados dilemas, nas startups todo conhecimento é bem utilizado.
Isso significa dizer que tanto um estagiário quanto um funcionário sênior têm seus conhecimentos reconhecidos e valorizados com o mesmo peso dentro das startups e são regularmente incentivados a interagirem para criar soluções ainda mais inovadoras.
Esse incentivo, aliás, é o que permite que o conhecimento seja retido na empresa e que as experiências dos funcionários mais velhos sejam atualizadas com os mais novos.
3. Proporcionam realização profissional (afinal, não é só a remuneração que conta)
Para pessoas apaixonadas por suas graduações e experiências, colocar seu conhecimento à prova e colher resultados a partir deles é muito gratificante. A remuneração fica em segundo plano.
Essa é uma questão bastante determinante na escolha de jovens profissionais por startups. Isso porque elas costumam possibilitar que trabalhem em sua área de formação e foquem no que aprenderam a fazer nos anos de graduação e realmente amam.
4. Garantem qualidade de vida
Aquela imagem do escritório com videogames e outros elementos comuns a áreas de lazer pode parecer inalcançável, mas é realidade em muita startup devido ao incentivo à qualidade de vida dentro e fora dos escritórios.
Por terem equipes mais enxutas, as responsabilidades de cada profissional são maiores. Não apenas devido ao volume de trabalho, mas também à qualidade e eficiência dele. Assim, o esforço intelectual e criativo é mais intenso.
Elevando as exigências e comprometimento com o resultado, é preciso oferecer mecanismos para que os profissionais consigam relaxar e usufruir do chamado ócio criativo, como uma partida de tênis de mesa, por exemplo.
O ambiente descontraído também está na forma de vestir, na flexibilidade do horário de trabalho, permissão para levar o animal de estimação ao escritório, entre outros. Isso contribui para que o ato de trabalhar seja tão prazeroso como outros da rotina pessoal, aumentando a qualidade de vida.
5. São excitantes
Cada pequena vitória das startups contagia e fideliza ainda mais seus funcionários, porque eles conseguem ter uma boa percepção de suas contribuições para o sucesso.
Em grandes empresas há um distanciamento e uma segmentação grande dos processos e setores, o que nem sempre permite que seus funcionários vejam o todo ou se sintam responsáveis pelas conquistas.
Por essa visão intimista do processo e por ter o conceito de “quebrar paradigmas” muito enraizado na cultura da empresa, a cada conquista, todos recebem um feedback real de seus esforços e contribuições. É contagiante!
Startups que estão se destacando no mercado (e como)
Essa excitação e vibração são cada vez mais sentidas no cenário brasileiro. Nos últimos anos, o mercado de startups cresceu consideravelmente e as chamadas unicórnios (que atingem o valor de um bilhão de dólares) estão surpreendo o mundo dos negócios.
Esse termo foi criado nos Estados Unidos, pois mesmo com o incentivo e alta procura pelos seus serviços, dificilmente uma startup atingia tal valor de mercado. Mas, nos últimos anos, esse quadro foi revertido mundialmente e muitas representantes brasileiras estão próximas de alcançarem o patamar da casa dos bilhões.
Entre as startups brasileiras, unicórnios ou não, podemos destacar algumas que estão sobressaindo.
– Movile
A Movile é responsável pelo desenvolvimento e gestão de aplicativos fortes como o Ifood e o Playkids. Tem participação expressiva no mercado mundial, fazendo parcerias com gigantes como a Disney, por exemplo.
Possui uma estrutura considerável no Vale do Silício, dada sua abordagem no mercado estrangeiro.
– Rock Content
A Rock Content é a maior empresa de marketing de conteúdo da América Latina e recentemente foi integrada à rede Endeavor em um dos processos seletivos mais rigorosos do mercado.
Seus números despertam interesse. Em 5 anos passaram de 0 para 1500 clientes e hoje somam mais de 300 profissionais engajados e vivendo literalmente a cultura startup de compartilhamento de conhecimento e valorização das interações profissionais.
– NuBank (Unicórnio)
A Nubank é uma startup que tem o sucesso do seu negócio baseado numa carência dos consumidores: um sistema bancário desburocratizado.
Processos bancários complexos e com alta carga de cobranças foram substituídos por um sistema simples e inovador. Recentemente lançou o cartão virtual e a possibilidade de ter uma conta para pagamentos, o que certamente foram algumas das muitas vitórias que seu time pôde comemorar nos últimos anos.
– Zenvia
Começou sua atuação com SMS corporativos e posteriormente direcionou suas estratégias para os demais canais de interação virtuais como aqueles gerenciados pelos aclamados chatbots.
Atendem a grandes empresas como a Amazon, Correios e o Banco Bradesco, por exemplo, e são uma prova substancial de como as startups são mais leves em termos administrativos e capazes de redirecionar suas estratégias mais facilmente.
– 99 (Unicórnio)
Foi recentemente comprada pela chinesa Didi Chuxing, mas antes se destacou no mercado mundial de startups por oferecer uma alternativa competitiva aos principais players do setor de mobilidade urbana, como é o caso do Uber, por exemplo.
– Pagseguro
Com um processo mais longo de amadurecimento, a PagSeguro abriu seu capital na bolsa de Nova York e somente em sua estreia conseguiu captar 2,6 bilhões de dólares.
É uma plataforma de pagamento multibandeira online e presencial responsável pela captura e transação de valores de forma segura para pagadores e estabelecimentos. Com a evolução de seus produtos e serviços, lançou a carteira PagSeguro, um aplicativo que permite que seus clientes utilizem o celular como forma de pagamento em estabelecimentos físicos.
Tudo isso parece empolgante e relevante para uma carreira profissional e não é difícil entender por que a nova geração está trocando grandes empresas por startups. Os chamados millennials e a geração Z buscam mais significado para suas ações, seja na vida pessoal, seja no trabalho.
O status de fazer parte de uma multinacional aos poucos é substituído pela sensação de participar de um projeto revolucionário capaz de melhorar a sociedade, o mundo ou apenas a vida de um cliente. São razões e motivações diferentes.
E você, sabe quais motivações te impulsionam? O que é prioridade em sua carreira?
Este artigo foi produzido por parceria entre a Adzuna e a Rock Content.


