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Mudança de carreira: definindo a hora certa

Henrique Neves terminou a graduação em administração de empresas em uma das universidades mais concorridas de São Paulo. Trabalhou no ramo por 5 anos chegando a ser promovido para um cargo de gerência. O gosto por computadores e design, “passatempo” de adolescência, ficou pra trás em troca da carreira considerada “estável”. Uma oportunidade no escritório, entretanto, fez com que Henrique mudasse o rumo de sua vida. “Fui escolhido para ajudar na criação de um website para a empresa. Contratamos uma agência, mas eu acabei fazendo quase tudo. Percebi que estava no lugar errado, eu queria ser o designer e não o administrador”.

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Henrique fez cursos online e eventualmente chegou a se especializar em webdesign, atividade que ocupa hoje e que aliou aos conhecimentos de gestor. No ano passado Henrique abriu sua própria empresa de webdesign. Apesar dos desafios, acredita que fez a escolha certa: “Acho até que trabalho mais hoje em dia, mas tenho mais motivação para acordar cedo ou para ficar até mais tarde no escritório”.  Mudar de carreira é uma decisão difícil, mas muitas vezes necessária para encontrar a realização pessoal. Mas por onde começar? A Equipe Adzuna conversou com Tom Coelho, educador, conferencista e autor para descobrir dicas valiosas para quem pensa em mudar de carreira.

Adzuna: Quando um profissional decide mudar de carreira quais os principais passos para iniciar a nova etapa?

Tom Coelho: A primeira providência deve ter por base uma autoavaliação de competências e motivadores para respaldar este processo de mudança. Há instrumentos de análise de perfil comportamental que auxiliam o profissional a identificar seus principais talentos, permitindo-lhe refletir sobre sua qualificação para atuar neste novo setor. Superada esta etapa, convém pesquisar amplamente sobre o novo segmento, observando suas oportunidades e ameaças.

Adzuna: Como um profissional deve avaliar o momento certo de mudar de emprego?

Tom Coelho: São vários fatores. O primeiro deles é o que chamo de “síndrome da cabeça no teto”, que ocorre quando o profissional está em uma boa empresa, com um bom ambiente de trabalho, porém sem perspectiva de evolução na carreira, possivelmente porque o porte da companhia não lhe permitirá ir além. Neste caso, é necessário buscar outros desafios. Há também a insatisfação no emprego atual, seja pela falta de oportunidades ou de reconhecimento, seja em virtude de um clima organizacional desfavorável ou de divergências com a atual liderança, ou ainda pela expectativa de maior remuneração em outra organização. Contudo, é importante salientar que a mudança de emprego só deve ser concretizada quando o profissional tiver efetivamente firmado sua transferência para outra empresa. Não há nada pior do que pedir demissão e ficar na incerteza de obter uma recolocação.

Adzuna: Como avalia a questão da idade em um projeto de mudança de carreira ou de emprego?

Tom Coelho: Ainda persiste certo preconceito no mercado de trabalho com relação aos profissionais mais maduros, assim compreendidos aqueles com idade superior a 40 anos. Entretanto, vejo uma mudança gradual deste quadro, pois as organizações começam a perceber que não podem prescindir da experiência destes executivos. Ademais, o aumento da expectativa de vida fez com que o tempo de carreira também fosse dilatado. Assim, é cada vez mais natural que profissionais posterguem sua aposentadoria. Os jovens dispõem de maiores oportunidades para mudança de carreira. Os maduros, têm na consultoria um caminho natural.

Adzuna: Pode comentar sobre a sincronia entre vida pessoal e vida profissional e as decisões de carreira?

Minha tese baseia-se em uma série de pesquisas recorrentes no mercado de trabalho que indicam a busca do equilíbrio entre vida pessoal e profissional como uma das maiores preocupações dos profissionais. Pesquisa realizada em 2007, pela Fundação Dom Cabral, com mais de 1.000 executivos de 350 empresas, apontou a busca do equilíbrio entre vida profissional e familiar como a maior fonte de angústia dos profissionais, indicando ainda que 84% dos executivos estão infelizes no trabalho, 40% das executivas não têm filhos e 54% estão insatisfeitos com o tempo dedicado à vida pessoal.

Em 2009, pesquisa promovida por uma grande instituição financeira em nove centros mundiais identificou, entre os respondentes brasileiros, que metade deles elege como maior desafio conciliar carreira e família. Em 2011, pesquisa realizada pela GfK Internacional junto a mais de 30 mil pessoas em 29 países, também indicou o equilíbrio entre vida pessoal e profissional como a preocupação mais relevante. Dentro deste cenário, meu alerta é para que cada profissional, em suas decisões de carreira, procure contemplar suas “Sete Vidas”: saúde, afetividade, carreira, cultura, sociabilidade, vida financeira e espiritual.

Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento”, “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” e coautor de outras cinco obras. Visite: www.tomcoelho.com.

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