Com a tecnologia se tornando cada vez mais parte de nossa vida, não é surpresa que o mercado valoriza o profissional especializado nessa área. As áreas de informática e engenharia são duas das mais bem remuneradas, mas seus cargos são majoritariamente ocupados por homens. Para atingir o equilíbrio entre os gêneros nesses ambientes existem muitos grupos e mulheres que trabalham para quebrar estigmas e mostrar para as jovens com interesse em tecnologia que não existe carreira “só para meninos”.
O Adzuna escolheu o mês de maio para celebrar as Mulheres Tech, em que vamos postar entrevistas, eventos e informações sobre essa área fascinante e histórias inspiradoras das mulheres que seguiram os seus sonhos e lutam para aumentar a porcentagem feminina tão pequena desse mercado.
Começando com a Camila Achutti do blog Mulheres na Computação, que tem bacharelado em Ciência da Computação pela USP e mestrado, ela conta sobre as dificuldades que existem e como as pessoas e empresas podem trabalhar para aumentar o espaço da Mulher Tech.

Adzuna: Os mercados de engenharia e de TI permanecem em crescimento apesar da crise e normalmente oferecem salários muito acima da média. Por que ainda existe um índice tão pequeno de mulheres nessas áreas?
Camila Achutti: A principal razão da baixa diversidade em TI ainda é o estereótipo da área. Muitas mulheres não se vêem trabalhando com tecnologia por imaginar que para isso elas devem ser gênias da matemática e não entenderem muito bem como será o dia-a-dia e as possibilidades. Ainda associamos tecnologia ao menino branco do Vale do Silício que começou a programar com 5 anos, senão ele nunca teria aprendido.
Passamos anos construíndo esse estereótipo por meio de propagandas, filmes e séries. Vamos ter que passar ainda mais tempo descontruindo tudo isso.
A: Quais as maiores dificuldades para uma mulher se integrar no mercado de TI?
CA: A maior dificuldade na minha opinião ainda é a sensação de não pertencimento. Em geral você é sempre uma das poucas meninas do grupo. Além disso, ser uma mulher é andar com um holofote na cabeça. O que pode ser ruim ou bom. Todos sempre saberão o que você está fazendo, quanto você tirou na prova, se o servidor caiu no seu turno…enfim, você representa toda uma comunidade. Essa pressão não é das mais confortáveis.
A: Você acredita que as mulheres são desencorajadas para ingressarem na área de TI?
CA: A construção do gênero feminino ainda está pautada na submissão e nas [áreas de] Humanas. Nós ainda damos bonecas para as meninas e LEGO® para os meninos. Ainda nos levam a crer que não nascemos para as [áreas de] Exatas. Então, as meninas desde a primeira infância são desencorajadas.
A: Apesar dos obstáculos que ainda existem, você acredita que agora está mais fácil para as mulheres nesses mercados do que era a 10 ou 20 anos atrás?
CA: Eu sou bastante otimista com a melhora…desde 84 temos um declínio, então não acredito que tenha melhorado desde então…mas tenho certeza que daqui 10 ou 20 anos vamos alcançar muito espaço e tenho certeza que a minha resposta será diferente.
A: Quais as melhores formas de ações ou atitudes que os profissionais e as empresas podem tomar para acelerar esse progresso?
CA: Precisamos escancarar essa discussão! Esse é o passo mais fácil e o primeiro que precisa ser dado. Conversar, discutir, dar voz para as mulheres da empresa é a principal necessidade.
A: O que voce diria para inspirar a geração de estudantes atual para seguir uma carreira no mercado de tecnologia?
CA: Não desistam! Não conheço nada como tecnologia que me dá a possibilidade de atingir milhares de vida com algumas linhas de código de onde você estiver. Tem coisa mais legal que isso?
Camila é influenciadora digital na FIAP (Faculdade de Informática e Administração Paulista), onde está liderando projetos como a Semana da Mulher na Tecnologia e a Maratona de Aplicativos, iniciativa nacional de fomento ao ensino de programação que conta com diversos grandes parceiros do mundo da tecnologia. Ela já estagiou no Google na Califórnia e trabalhou para a Iridescent Learning, ONG americana de educação a distância do movimento maker.
Esse é o primeiro post do Maio Adzuna: Mulheres Tech, não perca um post curtindo nossa página do Facebook. E para aqueles que estão buscando o próximo passo em suas carreiras, acesse o Adzuna.com.br e encontre oportunidades de trabalho perto de você.
