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Entrevista: Cherolee Ramos e a mulher na engenharia

FaixaMesMulheresTech

Engenharia é uma das áreas acadêmicas que oferece uma das carreiras mais bem remuneradas no mercado. Sendo considerada uma das áreas mais complexas de ensino superior, atualmente é possível se especializar em diversas áreas de estudo como Engenharia de Produção, de Alimentos, Elétrica, Eletrônica, Civil, entre outras.

Uma pesquisa recente do Adzuna que analisou os dados de mais de 6 mil oportunidades anunciadas online das 6 áreas de engenharia com o maior número de vagas abertas, mostra que a média salarial das diferentes especialidades é maior que R$2.000, incluindo posições de estagiário e de diretoria.

Engenharia faz parte das áreas STEM (Ciências, tecnologia, engenharia e matemática) e tanto nas universidades quanto no mercado de trabalho, o número de homens é mais alto que o de mulheres, causando um problema na diversidade de gênero dessas áreas. O interessante é notar que existem várias mulheres modelo na história da tecnologia, uma delas a Hedy Lamarr que tornou o celular e o Wi-fi, como os conhecemos hoje (e não vivemos sem), possível. Mesmo assim, a porcentagem de mulheres perseguindo essas carreiras é pequena.

A jovem Cherolee Ramos faz parte desse pequeno grupo de aspirante a engenheiras, ela está finalizando seu curso de Engenharia Mecânica e escreve o blog Mulheres na Engenharia onde ela conta que teve pouco incentivo externo para perseguir sua escolha de estudo, mas não desistiu. Na sua entrevista para o Adzuna ela comenta sobre as dificuldades e como fez a sua escolha de profissão.

Cherolee Ramos
Imagem fornecida por Cherolee Ramos
Adzuna: O Mulheres na Engenharia tem vários posts dedicados às mulheres na história, do Brasil e do mundo, considerando como a imagem da mulher mudou tanto nos últimos 100 anos, você se impressionou com o número de mulheres que você achou?

Cherolee Ramos: Na verdade não acho que a imagem da mulher mudou muito, pelo menos não para a maioria, e sim teve valor agregado. Ela continua sendo mãe, amiga, dona de casa… Só que agora ela também estuda, é independente, empresária, tem uma profissão, é provedora… Então, acho que esses números poderiam ser melhores, principalmente aqui no Brasil onde não é muito fácil achar uma referência feminina nesse ramo.

A: Por que, você acha, que apesar dessas modelos na história, ainda é difícil equilibrar o número de mulheres na engenharia com o número de homens?

CR: Pela falta de informação, as meninas pensam que engenharia é um monstro que vai acabar com sua vida aos poucos, (na verdade isso acontece em algumas disciplinas [risos]), mas como disse anteriormente, é difícil achar referências femininas, se você perguntar a uma pessoa o nome de um inventor dificilmente responderá Hedy Lamarr, que foi uma das responsáveis pelo o que hoje chamamos de Wi-Fi e isso acontece porque as mulheres não tem a mesma publicidade que é dada aos homens nesses casos, aí junta a discriminação e falta de apoio que muitas vezes vem da própria família, elas acabam desistindo antes mesmo de tentar.

A: Quais são os principais obstáculos enfrentados pelas mulheres que buscam uma carreira em engenharia?
Além da discriminação, ela tem que saber lidar com a proteção de alguns colegas, as piadinhas de outros e ter pulso firme. Na verdade, [estes obstáculos] vão fazer com que ela cresça e amadureça, porque vai a cada dia procurar ser melhor e alcançar melhores resultados para provar não só a ela mas também aos do que ela é capaz.
A: Como foi a sua experiência ao fazer a escolha de cursar engenharia? E como existem várias áreas de engenharia, como você escolheu exatamente a que queria?

CR: Sempre gostei da área de informática, tecnologia, inovação, empreendedorismo, sustentabilidade e várias outras. Acabei vendo na engenharia a chance de juntar quase tudo que gostava, mesmo não sendo a melhor aluna da sala, então, não foi muito difícil, mas meus pais não aceitaram de primeira, sempre teve aquele medo quanto a discriminação, diziam que eu podia não aguentar e coisas desse tipo. Já a área, tive minha escolha trocada por falta de informação, me matriculei pensando que iria pro ramo automobilístico e depois descobri que a mecânica ia muito além disso e meu curso era voltado a área industrial, mas não me arrependo.

A: O que você diria para as jovens que tem interesse em engenharia, mas estão descorajadas?

CR: Coragem e vai na fé, o importante é dar o primeiro passo porque o que nos diferencia dos outros são nossas atitudes, o nosso agir. Menos “achismo” e mais comprometimento com aquilo que realmente quer alcançar. Além do mais, você aprende que engenharia é mais que cálculo, é ser humilde, saber inovar, ser criativo, ser líder, empreendedor, é um administrador nos tempos modernos.

Cherolee deu início a seu blog em 2013 com o objetivo de incentivar e informar jovens que também tem interesse em engenharia. O Adzuna tem vários artigos preparados para mostrar que na tecnologia existe espaço para todas.

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