A indústria cinematográfica é sempre criticada por criar padrões irreais na nossa sociedade. Seja a beleza dos atores protagonizando filmes e estampando capas de revista, ou os estilos de vida que não condizem com o padrão de vida que a maioria dos espectadores podem arcar, longas críticas são feitas sobre como Hollywood influencia nas nossas expectativas. Não seria diferente quando se trata de nossas carreiras e de nossa vida profissional, muitas das tramas que vemos em filmes dificilmente representam o dia a dia de um ambiente de trabalho, veja alguns exemplos:
7. Estereótipos
Expectativa: Especialmente em filmes de comédia, é comum vermos alguns tipos de colega de trabalho: o melhor amigo – que protege e é confidente do protagonista, o antagonista – que quer ganhar a promoção e vai fazer de tudo para sujar o nome do protagonista por isso, os excêntricos – normalmente pessoas incapazes de realizar as suas funções de trabalho criando situações cômicas, e o chefe, que pode representar qualquer um destes papéis, dependendo da temática do filme.
Realidade: Os seus colegas de trabalho são tridimensionais. Ninguém pode ser reduzido apenas a um esteriótipo, e as pessoas agem de forma diferente em situações e momentos diferentes. Ao longo do tempo é possível criar amizades e inimizades dentro de um ambiente de trabalho, mas a dica fundamental para criar um ambiente bom para se trabalhar e construir um bom relacionamento com seus colegas, é manter o profissionalismo, focando no trabalho.
6. Gerenciamento de tempo
Expectativa: Em qualquer filme ou produção para a TV, personagens esbanjam tempo de sobra para serem profissionais exemplares com carreiras meteóricas, e ainda assim conseguirem tempo de sobra para socializarem, tomarem café, almoços longos, muitas vezes durante o expediente de trabalho.
Realidade: A maior parte de nós trabalha em torno de quarenta horas por semana no ambiente de trabalho. Somados ao tempo que demoramos para chegar e sair do trabalho, nos arrumar, comer e dormir, não sobra muito tempo ao longo da semana para socializar tanto quanto nos filmes.
5. Grandes emoções
Expectativa: Indiana Jones, um arqueólogo que encontra armadilhas escondendo tesouros e mistérios sobre a humanidade a serem desvendados, advogados americanos que trabalham em casos polêmicos para provar a inocência das vítimas, médicos que dedicam sua vida para curar um paciente incurável, entre tantas outras tramas que fazem parecer que o dia a dia dessas profissões são emocionantes.
Realidade: Poucas profissões realmente são tão empolgantes quanto no cinema. Boa parte dos arqueólogos trabalha analisando artefatos históricos em museus, e são poucos os que conseguiram encontrar grandes tesouros. Médicos e Advogados tem os seus casos que trazem estresse e tensão, mas boa parte dos profissionais dessas áreas realizam trabalhos corriqueiros no dia-a-dia, como receitar antibióticos para viroses ou dar entrada num processo de divórcio.
4. Remuneração surreal
Expectativa: Não são só nas novelas brasileiras onde mesmo os núcleos mais pobres tem um padrão de vida muito acima do que o da vida real. Em muitos filmes de Hollywood, especialmente os que se passam em grandes cidades com um custo de vida elevado, mesmo funcionários com cargos mais baixo tem remuneração boa o suficiente para terem apartamentos grandes com vistas bonitas, roupas de grife e um estilo de vida boêmio.
Realidade: Poucas pessoas ganham o suficiente para ter um padrão de vida hollywoodiano, especialmente em grandes cidades com um alto custo de vida e ainda mais no começo da carreira. Antes de procurar um emprego, principalmente se você está considerando mudar de cidade para progredir na carreira, procure informações sobre as médias salariais do cargo desejado e verificar se a remuneração cobre o custo de habitação, transporte e alimentação.
3. Multifuncionalidade
Expectativa: Cientistas em filmes normalmente são especialistas em todas as modalidades possíveis e imagináveis. Veja Tony Stark nos filmes do Homem de Ferro, que não só é capaz de criar sistemas operacionais de inteligência artificial, armamentos para a indústria bélica, um marcapasso conectado a uma bateria de energia quase interminável e ainda combatia o crime nas horas vagas.
Realidade: Apesar de alguns dos nossos grandes gênios da história terem influenciado e desenvolvido diversas áreas da ciência, boa parte dos cientistas modernos coloca seu foco e seu tempo em uma especialidade, e o tempo que é preciso para compreender os mínimos detalhes de uma área específica é maior do que se imagina.
2. Promoções relâmpago
Expectativa: Na década de 90, Christina Applegate protagonizou “Viva a Babá Morreu”, onde uma adolescente precisa trabalhar para sustentar seus irmãos durante as férias da sua mãe na Austrália. Em poucas semanas a protagonista consegue um cargo de assistente da CEO da empresa e se torna a chefe de design, reestruturando a empresa e reposicionando a marca.
Realidade: Dificilmente um recém-contratado conseguiria realizar tantas mudanças dentro de uma empresa e ganharia apoio de seus colegas – no mundo real é preciso tempo para entender como uma empresa funciona e análises profundas sobre os clientes e comportamento do consumidor para realizar um reposicionamento de marca bem sucedido. Além disso, para que um profissional conquiste a confiança dos seus colegas dentro da empresa e consiga gerenciar grandes projetos, é preciso tempo para demonstrar através dos resultados do seu trabalho a sua capacidade de gestão.
1. Só é bem sucedido quem chega ao topo
Expectativa: Para boa parte das produções hollywoodianas, um final feliz significa necessariamente fama e fortuna. Seja em filmes esportivos onde os protagonistas ganham um campeonato, filmes como Jerry Maguire onde o protagonista dá uma grande virada e reconquista a sua carreira, entre tantos outros filmes onde parece que a única forma de alcançar sucesso, felicidade e estabilidade é estando no topo.
Realidade: Poucas pessoas chegarão ao topo de suas carreiras e se tornarão famosas e renomadas por isso. E boa parte das pessoas que chegam nesse nível em suas carreiras curiosamente apresentam um comportamento em comum: o objetivo destas pessoas não era chegar ao topo, mas fazer um trabalho cada vez melhor.
A definição de sucesso é bem relativa e pessoal, e ao longo do tempo muda bastante de pessoa para pessoa. O importante, para ser feliz na sua carreira, é encontrar uma área na qual você gosta de trabalhar e se desenvolver, que te satisfaça profissionalmente e te forneça uma remuneração adequada para ter estabilidade financeira. Alguns filmes como “500 dias com ela” conseguem ilustrar como é importante descobrir o que gostamos de fazer e ao encontrar um trabalho que nos satisfaça isso melhora o nosso humor e os relacionamentos que construimos dentro e fora do ambiente de trabalho.
Hollywood cria expectativas irreais sobre o nosso dia a dia, mas por isso mesmo a nossa vida não precisa ser um drama. Podemos não ter todo o luxo e fama expostos nos filmes que assistimos, mas podemos (e devemos) investir no nosso crescimento pessoal e profissional, e comemorar as nossas pequenas vitórias do dia a dia.
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