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Você sabe fazer seu marketing pessoal?

Seja para crescer na empresa ou conseguir um novo emprego, fazer marketing pessoal é algo essencial no mundo extremamente competitivo em que vivemos hoje. Mas é preciso passar uma boa imagem profissional e cuidar com o excesso de autopromoção para que ele funcione, de fato, ao seu favor.

Para saber como você pode promover o seu trabalho e a si mesmo do jeito certo, o blog do Adzuna Brasil conversou com o especialista no assunto Mario Persona, que é palestrante, professor e consultor de estratégias de comunicação e marketing, além de autor de vários livros de negócios. Confira a entrevista exclusiva:

Existem muitas formas de realizar o marketing pessoal “inteligente” – mas essa é uma expressão que pode possuir uma conotação negativa, às vezes. Você pode identificar qual o limite do marketing pessoal?

Marketing pessoal não é exatamente falar de si, mas promover outros para que eles falem de você. Gostamos de pessoas que se interessam por nós e pelo que fazemos e costumamos falar delas a outros. É uma questão de matemática: se eu me dedicar a falar de mim, serei apenas um me promovendo.  Se eu criar em 100 pessoas um sentimento de gratidão terei 100 pessoas constrangidas a falar bem de mim para suas redes de contatos.

Mas como criar tal sentimento? Estando sempre naquele espírito de escoteiro que procura uma velhinha para poder ajudar a atravessar a rua. O proverbial escoteiro voltará frustrado para casa se depois de um dia perambulando pelas ruas do bairro não tiver encontrado nenhuma velhinha para atravessar a rua, nenhum gatinho para resgatar da árvore, nenhum idoso para ajudar a carregar a sacola de compras. É com um espírito assim que o profissional pode ser bem sucedido em seu marketing pessoal.

Quem pretende encontrar uma posição no mercado precisa logo criar sua imagem para essa posição

Quais seriam suas dicas para realizar marketing pessoal de uma forma saudável quando se é um estudante recém-formado e com pouca experiência no mercado de trabalho?

Isso começa na sala de aula, pois cada colega é um cliente, parceiro ou empregador em potencial. A maneira como você tratar seus colegas e professores será lembrada depois no mercado. Hoje muitos professores de universidades são também consultores empresariais em atividades paralelas, e existem alunos que se esquecem disso. Acabam criando inimizade com seus professores sem perceber que através deles poderão obter contatos e indicações quando saírem para o mercado de trabalho.

Na hora de criar um currículo é importante também que o novo profissional analise antes cada empresa que irá recebê-lo. Currículos genéricos não são tão eficazes quanto os personalizados, que procuram passar ao empregador a impressão de que o profissional procurou se inteirar dos negócios do “cliente” e mostra ter disposição para agregar valor à empresa através de seu trabalho.

O currículo precisa também se destacar nas primeiras linhas, mostrando essa disposição logo de início, ou irá parar na pilha de currículos que não serão lidos. Do mesmo modo como costumamos abandonar um livro ou filme que começa sem grandes atrativos, leitores de currículos no RH das empresas precisam ser cativados logo na primeira “cena” ou perderão o interesse em ficar buscando no texto algo que possa interessar a empresa.

O modo como a pessoa se relaciona nas redes também será levado para os relacionamentos na empresa

Como você avalia a explosão das redes sociais e da web hoje em dia – quais os perigos e os benefícios – quando falamos em marketing pessoal?

Quem pretende encontrar uma posição no mercado precisa logo criar sua imagem para essa posição. Não será de nenhuma ajuda produzir-se todo para a entrevista, criando um perfil ao vivo de um profissional sério e dedicado, se o seu perfil nas redes sociais mostrar o oposto: alguém desleixado, preguiçoso, adepto de práticas questionáveis e que curte grupos, filmes e bandas que promovem a violência, o racismo e a intolerância.

Fico espantado de ver perfis de jovens nas redes que simplesmente detonam a própria imagem. Hoje o RH das empresas está mais propenso em acreditar no que vê no perfil do jovem profissional nas redes sociais, do que em todas as virtudes destacadas em seu currículo ou na entrevista pessoal. Precisamos ser o que somos o tempo todo e em todo lugar, ou acabaremos misturando as “personas” causando um conflito entre uma imagem artificial e aquilo que realmente somos.

O modo como a pessoa se relaciona nas redes também será levado para os relacionamentos na empresa. Pessoas com mania de perseguição, que se acham sempre injustiçadas, que brigam com todos, desprezam lideranças e falam mal das pessoas abertamente nas redes sociais não serão bem-vindas em empresas sérias. A razão é simples: são as pessoas que trabalham numa empresa que compõem os valores daquela empresa. Em última instância, funções, técnicas e habilidades podem ser aprendidas, mas valores não, e empresa nenhuma irá querer destorcer o pepino que é assim desde pequenino.